GTR pode trazer redução entre 4% e 10% nos custos de transporte
Que a gestão da logística de transporte e o gerenciamento de risco
sempre andaram em paralelo todo mundo já sabia. Tanto é assim que
muitas empresas que adquiriram rastreadores visando a segurança
acabaram por obter ganhos logísticos inesperados; ou, inversamente,
muitas que implementaram roteirizadores com vistas à otimizaçãoda frota, acabaram por ganhar mais segurança nas operações.
Agora,
duas empresas tradicionais dos segmentos, a Pamcary – há 44 anos no
mercado de risco e que gerencia mais de 500 mil viagens por mês – e o
Instituto de Logística e Supply Chain – ILOS, consultoria especializada
no desenvolvimento de projetos logísticos, decidiram juntar as
expertises num único serviço, denominado GTR – Gestão de Transporte e
Risco.
Na parceria, o ILOS entrará com seu conhecimento na gestão de supply
chain e ficará responsável pela avaliação das empresas, pelo
levantamento dos lucros potenciais da operação, definição de metas e
indicativos de desempenho. Já a Pamcary irá fazer a análise de risco e
ficará a cargo da visibilidade das operações, oferecida através de seu
sistema Infolog Web, e pelo gerenciamento e verificação do cumprimento
das metas de transporte, possibilitado pela sua Central de Tráfego.
“Descobrimos, ao longo de nossa experiência em GR, que a produtividade
reduz riscos. Daí veio a ideia de fazer a convergência entre os
processos de gestão de risco e de transportes, juntando a experiência
que as duas empresas possuem no mercado para oferecer o que chamamos de
alto desempenho no transporte”, diz Silvio Bergamo, diretor Nacional de
Embarcadores da Pamcary. “E alta performance pressupõe previsibilidade;
esta, por sua vez, exige o acompanhamento de todas as etapas do ciclo
logístico, com gestão proativa. É isso que o GTR irá oferecer”,
continua o executivo.
O CEO do ILOS, professor Paulo Fleury, diz que a receptividade do
mercado está sendo ótima, já que o GTR está combinando o prestígio do
ILOS na gestão do supply chain e a capacidade operacional da Pamcary,
além de sua experiência no GR. “Isto passa confiança ao mercado”,
ressalta.
Outro atrativo, segundo Fleury, é o potencial de redução de custos no
transporte, que ficou entre 4% e 10% nos projetos-pilotos realizados
com a solução. “A conta de transporte é, sem dúvida, a mais alta dentro
da logística nas empresas, ficando em cerca de 60% dos custos
logísticos totais. E a conta do transporte rodoviário no Brasil é de R$
170 bilhões/ano. Por aí se tem uma ideia do potencial do GTR”,
ressalta. Para Fleury, o potencial de ganho irá depender do tipo de
operação e do grau de evolução que a empresa já tenha no gerenciamento
de suas operações de transporte.
O CEO conta que o GTR está baseado, principalmente, na ferramenta
Infolog da Pamcary, que surgiu na onda de sistemas nacionais mais
simples, em resposta aos grandes softwares internacionais voltados ao
segmento, que eram muito caros, sofi sticados e pouco adaptados
ao mercado brasileiro. “Quando conhecemos o Infolog, veio a ideia de
unir as duas soluções. E este também é um diferencial que faz o GTR ter
boa aceitação no mercado, a simplicidade e a efi cácia da solução, além
da possibilidade de ter grandes ganhos com pouco investimento”, explica
Fleury.
Joint-venture
Por ora oferecido pelas duas empresas num esforço conjunto, o GTR
deverá se tornar uma joint-venture entre elas, funcionando como uma
única empresa. Até que esta iniciativa se concretize, o cliente pode
chegar à solução pelo departamento comercial de cada uma das parceiras
separadamente, ou por ambas ao mesmo tempo. Fleury explica que não
faria sentido investir na formação de uma nova empresa antes de haver
uma receita que justifique os investimentos. “Podemos trabalhar muito
bem com a estrutura que o ILOS e a Pamcary possuem.”
Rodrigo Branchini, consultor do ILOS responsável pela prospecção de
mercado e implantação dos projetos GTR, explica que o trabalho se
desenvolverá no tripé padrão-visibilidadegestão proativa, visando o
alto desempenho de transporte, que irá atuar no nível de serviço e
eficiência esperado
pelo cliente, dentro de um patamar de segurança que abrange não apenas o veículo, como a carga e o motorista.
O padrão de desempenho envolverá o nível de serviço, custos, veículos,
circuitos, tempos, ocupação, utilização e segurança dos ativos. Já a
visibilidade contemplará não apenas a utilização da ferramenta Infolog,
como também um painel de indicadores que permite ao usuário acompanhar
sua performance em tempo real. E, além do monitoramento, haverá as
ações sobre a operação sempre que ela se desviar do padrão
estabelecido. O tipo de resposta dependerá da ocorrência. “Tudo está
dentro de um cardápio de procedimentos criado e adaptado para as
necessidades específicas de cada cliente”, coloca Branchini.
O trabalho será desenvolvido por etapas. A primeira delas é a avaliação
logística, liderada pelo ILOS, que é uma fase de diagnóstico das
oportunidades de melhorias logísticas, enquanto
a Pamcary analisa questões de segurança, como o potencial de redução de
acidentes e roubos. “Esta etapa dura, em média, dois meses e nela são
traçadas as prioridades da operação de transporte”, define o consultor.
A segunda etapa é a implantação, na qual é realizado todo o
planejamento de transporte, desde a programação até o pagamento. Nesta
fase entram a visibilidade e a gestão de prioridades e exceções. A
terceira etapa envolve o relacionamento e a melhoria contínua. Nela,
haverá reuniões mensais com os clientes para discutir se as metas estão
sendo atingidas, se estão adequadas e os tipos de desvio. “Além disso,
a cada três meses haverá uma semana de consultoria, em que agregamos
todas as informações levantadas nas reuniões e corrigimos eventuais
problemas”, explica Branchini.
Todo este trabalho visa entender os desafios da operação de cada
cliente, levantando os pontos críticos que causam impacto na
produtividade, nos custos e na segurança, e buscar oportunidades
na operação de transporte, além da possibilidade de se criar circuitos estáticos, operados por ativos dedicados.
Potencial
De acordo com as parceiras, existem hoje no país entre 300 e 400
empresas aptas a utilizar o GTR. “Isso falando do sistema implantado
para uma única empresa. Se considerarmos que elas também podem operar
de forma colaborativa, temos todo o mercado para atender”, destaca
Silvio Bergamo.
Branchini coloca que a ideia é, primeiro, desenvolver os processos
dentro de cada cliente e só depois partir para um condomínio. “Não
adianta chegar falando em colaboração entre duas empresas que ainda não
tenham suas operações estabilizadas. Começaremos procurando circuitos
estáticos dentro dos clientes. Geralmente, conseguimos encontrar
potencial, porque a maioria deles tem várias filiais regionais, ou
divisões e unidades de negócio, que podem gerar grandes sinergias.
Depois de feita a lição de casa, poderemos partir para a colaboração”,
diz o consultor.
Um ponto importante do serviço é o compartilhamento do risco com os
clientes. “Quanto mais bem sucedidos nós formos, quanto maiores os
resultados que obtivermos para o cliente, maior será nossa remuneração.
Isto é um importante motivador”, diz o consultor. Para ele, o grande
diferencial do GTR em relação ao que as duas empresas já faziam
separadamente é o acompanhamento contínuo. “Não entregamos um projeto e
nos afastamos. Continuamos monitorando o desempenho e buscando melhorar
sempre.”
Outro fator que aumenta a receptividade do mercado ao GTR é o fato de
os dois fatores – risco e eficiência logística – estarem intimamente
ligados. “Se há um problema de expedição e o caminhão atrasa, o
motorista pode querer correr para tirar o atraso, e tenta compensar a
produtividade aumentando o risco. Ele também pode mudar uma rota
estabelecida, saindo do padrão e colocando em risco tanto a segurança
quanto a produtividade. Está tudo muito atrelado. Por isso estamos
tratando do tema de uma forma única. E, embora cada cliente tenha sua
prioridade, sempre acabamos achando o denominador comum”, destaca
Branquini.
Outro valor que o GTR gera para as empresas é a riqueza de informações
em detalhes, todas disponibilizadas em relatórios gerenciais
customizados. Fleury destaca ainda que o GTR será uma ferramenta
importante no controle ambiental. “Não tenho dúvidas de que relatórios
de risco ambiental serão cada vez mais necessários, e com o GTR a
empresa pode saber o quanto cada caminhão, cada viagem ou cada rota
impacta no ambiente.”
As empresas não abrem o quanto investiram até agora no GTR, mas
explicam que o principal investimento foi em inteligência. O projeto
vem sendo desenvolvido há cerca de dois anos.
Bergamo adianta que existem pilotos rodados ou rodando em empresas de
vários segmentos, como alimentos, bebidas, serviços, siderurgia,
plástico, química, higiene, limpeza e cosméticos,
bens de consumo, eletroeletrônica, pneus e cimento. Hoje, cinco
embarcadores – cujos nomes e segmentos não foram divulgados – já
passaram da fase de avaliação e assinaram contrato para a execução do
projeto.
ILOS: (21) 3445-3000
Pamcary: (11) 3889-1111
Novembro/2009 - Revista Tecnologística – 19
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