11/2009 - Revista Tecnologística

Lançamento une gestão de transporte e de risco num único serviço


GTR pode trazer redução entre 4% e 10% nos custos de transporte

Que a gestão da logística de transporte e o gerenciamento de risco sempre andaram em paralelo todo mundo já sabia. Tanto é assim que muitas empresas que adquiriram rastreadores visando a segurança acabaram por obter ganhos logísticos inesperados; ou, inversamente, muitas que implementaram roteirizadores com vistas à otimizaçãoda frota, acabaram por ganhar mais segurança nas operações. Agora, duas empresas tradicionais dos segmentos, a Pamcary – há 44 anos no mercado de risco e que gerencia mais de 500 mil viagens por mês – e o Instituto de Logística e Supply Chain – ILOS, consultoria especializada no desenvolvimento de projetos logísticos, decidiram juntar as expertises num único serviço, denominado GTR – Gestão de Transporte e Risco.

Na parceria, o ILOS entrará com seu conhecimento na gestão de supply chain e ficará responsável pela avaliação das empresas, pelo levantamento dos lucros potenciais da operação, definição de metas e indicativos de desempenho. Já a Pamcary irá fazer a análise de risco e ficará a cargo da visibilidade das operações, oferecida através de seu sistema Infolog Web, e pelo gerenciamento e verificação do cumprimento das metas de transporte, possibilitado pela sua Central de Tráfego. “Descobrimos, ao longo de nossa experiência em GR, que a produtividade reduz riscos. Daí veio a ideia de fazer a convergência entre os processos de gestão de risco e de transportes, juntando a experiência que as duas empresas possuem no mercado para oferecer o que chamamos de alto desempenho no transporte”, diz Silvio Bergamo, diretor Nacional de Embarcadores da Pamcary. “E alta performance pressupõe previsibilidade; esta, por sua vez, exige o acompanhamento de todas as etapas do ciclo logístico, com gestão proativa. É isso que o GTR irá oferecer”, continua o executivo.

O CEO do ILOS, professor Paulo Fleury, diz que a receptividade do mercado está sendo ótima, já que o GTR está combinando o prestígio do ILOS na gestão do supply chain e a capacidade operacional da Pamcary, além de sua experiência no GR. “Isto passa confiança ao mercado”, ressalta.
Outro atrativo, segundo Fleury, é o potencial de redução de custos no transporte, que ficou entre 4% e 10% nos projetos-pilotos realizados com a solução. “A conta de transporte é, sem dúvida, a mais alta dentro da logística nas empresas, ficando em cerca de 60% dos custos logísticos totais. E a conta do transporte rodoviário no Brasil é de R$ 170 bilhões/ano. Por aí se tem uma ideia do potencial do GTR”, ressalta. Para Fleury, o potencial de ganho irá depender do tipo de operação e do grau de evolução que a empresa já tenha no gerenciamento de suas operações de transporte.

O CEO conta que o GTR está baseado, principalmente, na ferramenta Infolog da Pamcary, que surgiu na onda de sistemas nacionais mais simples, em resposta aos grandes softwares internacionais voltados ao segmento, que eram muito caros, sofi sticados e pouco adaptados
ao mercado brasileiro. “Quando conhecemos o Infolog, veio a ideia de unir as duas soluções. E este também é um diferencial que faz o GTR ter boa aceitação no mercado, a simplicidade e a efi cácia da solução, além da possibilidade de ter grandes ganhos com pouco investimento”, explica Fleury.


Joint-venture

Por ora oferecido pelas duas empresas num esforço conjunto, o GTR deverá se tornar uma joint-venture entre elas, funcionando como uma única empresa. Até que esta iniciativa se concretize, o cliente pode chegar à solução pelo departamento comercial de cada uma das parceiras separadamente, ou por ambas ao mesmo tempo. Fleury explica que não faria sentido investir na formação de uma nova empresa antes de haver uma receita que justifique os investimentos. “Podemos trabalhar muito bem com a estrutura que o ILOS e a Pamcary possuem.”

Rodrigo Branchini, consultor do ILOS responsável pela prospecção de mercado e implantação dos projetos GTR, explica que o trabalho se desenvolverá no tripé padrão-visibilidadegestão proativa, visando o alto desempenho de transporte, que irá atuar no nível de serviço e eficiência esperado
pelo cliente, dentro de um patamar de segurança que abrange não apenas o veículo, como a carga e o motorista.

O padrão de desempenho envolverá o nível de serviço, custos, veículos, circuitos, tempos, ocupação, utilização e segurança dos ativos. Já a visibilidade contemplará não apenas a utilização da ferramenta Infolog, como também um painel de indicadores que permite ao usuário acompanhar sua performance em tempo real. E, além do monitoramento, haverá as ações sobre a operação sempre que ela se desviar do padrão estabelecido. O tipo de resposta dependerá da ocorrência. “Tudo está dentro de um cardápio de procedimentos criado e adaptado para as necessidades específicas de cada cliente”, coloca Branchini.

O trabalho será desenvolvido por etapas. A primeira delas é a avaliação logística, liderada pelo ILOS, que é uma fase de diagnóstico das oportunidades de melhorias logísticas, enquanto
a Pamcary analisa questões de segurança, como o potencial de redução de acidentes e roubos. “Esta etapa dura, em média, dois meses e nela são traçadas as prioridades da operação de transporte”, define o consultor.

A segunda etapa é a implantação, na qual é realizado todo o planejamento de transporte, desde a programação até o pagamento. Nesta fase entram a visibilidade e a gestão de prioridades e exceções. A terceira etapa envolve o relacionamento e a melhoria contínua. Nela, haverá reuniões mensais com os clientes para discutir se as metas estão sendo atingidas, se estão adequadas e os tipos de desvio. “Além disso, a cada três meses haverá uma semana de consultoria, em que agregamos todas as informações levantadas nas reuniões e corrigimos eventuais problemas”, explica Branchini.

Todo este trabalho visa entender os desafios da operação de cada cliente, levantando os pontos críticos que causam impacto na produtividade, nos custos e na segurança, e buscar oportunidades
na operação de transporte, além da possibilidade de se criar circuitos estáticos, operados por ativos dedicados.


Potencial

De acordo com as parceiras, existem hoje no país entre 300 e 400 empresas aptas a utilizar o GTR. “Isso falando do sistema implantado para uma única empresa. Se considerarmos que elas também podem operar de forma colaborativa, temos todo o mercado para atender”, destaca Silvio Bergamo.
Branchini coloca que a ideia é, primeiro, desenvolver os processos dentro de cada cliente e só depois partir para um condomínio. “Não adianta chegar falando em colaboração entre duas empresas que ainda não tenham suas operações estabilizadas. Começaremos procurando circuitos estáticos dentro dos clientes. Geralmente, conseguimos encontrar potencial, porque a maioria deles tem várias filiais regionais, ou divisões e unidades de negócio, que podem gerar grandes sinergias. Depois de feita a lição de casa, poderemos partir para a colaboração”, diz o consultor.

Um ponto importante do serviço é o compartilhamento do risco com os clientes. “Quanto mais bem sucedidos nós formos, quanto maiores os resultados que obtivermos para o cliente, maior será nossa remuneração. Isto é um importante motivador”, diz o consultor. Para ele, o grande diferencial do GTR em relação ao que as duas empresas já faziam separadamente é o acompanhamento contínuo. “Não entregamos um projeto e nos afastamos. Continuamos monitorando o desempenho e buscando melhorar sempre.”

Outro fator que aumenta a receptividade do mercado ao GTR é o fato de os dois fatores – risco e eficiência logística – estarem intimamente ligados. “Se há um problema de expedição e o caminhão atrasa, o motorista pode querer correr para tirar o atraso, e tenta compensar a produtividade aumentando o risco. Ele também pode mudar uma rota estabelecida, saindo do padrão e colocando em risco tanto a segurança quanto a produtividade. Está tudo muito atrelado. Por isso estamos tratando do tema de uma forma única. E, embora cada cliente tenha sua prioridade, sempre acabamos achando o denominador comum”, destaca Branquini.

Outro valor que o GTR gera para as empresas é a riqueza de informações em detalhes, todas disponibilizadas em relatórios gerenciais customizados. Fleury destaca ainda que o GTR será uma ferramenta importante no controle ambiental. “Não tenho dúvidas de que relatórios de risco ambiental serão cada vez mais necessários, e com o GTR a empresa pode saber o quanto cada caminhão, cada viagem ou cada rota impacta no ambiente.”
As empresas não abrem o quanto investiram até agora no GTR, mas explicam que o principal investimento foi em inteligência. O projeto vem sendo desenvolvido há cerca de dois anos.

Bergamo adianta que existem pilotos rodados ou rodando em empresas de vários segmentos, como alimentos, bebidas, serviços, siderurgia, plástico, química, higiene, limpeza e cosméticos,
bens de consumo, eletroeletrônica, pneus e cimento. Hoje, cinco embarcadores – cujos nomes e segmentos não foram divulgados – já passaram da fase de avaliação e assinaram contrato para a execução do projeto.

ILOS: (21) 3445-3000
Pamcary: (11) 3889-1111
Novembro/2009 - Revista Tecnologística – 19

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