03/2010 - Jornal da Globo

Pesquisa revela porque os caminhões sofrem tantos acidentes



Quem não sente um frio na barriga quando pega a estrada cheia de caminhões? Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira(23) em Minas Gerais explica por que os acidentes com eles são tão frequentes.

Fred JustoBR-040, MG

Um país transportado sobre rodas. Dois milhões e 200 mil caminhoneiros cortam as estradas brasileiras. São 83 mil acidentes com caminhões, por ano. Boa parte da frota é velha, com mais de 20 anos de uso.

Para cumprir prazos, muitos caminhoneiros não param para comer e descansar. Chegam a dirigir 18 horas seguidas para entregar a carga. "Já tomei rebite, já dirigi com sono, cansado, mas é imprudência da gente", afirma o caminhoneiro há 18 anos na estrada, Fernando Correia.

Três em cada quatro acidentes são provocados por falha humana, segundo pesquisa feita por uma comissão que reúne empresas de transporte e órgãos de trânsito.

"O estudo, nós chegamos na causa dos acidentes, mostra e revela qual é o fator preponderante que é exatamente um motorista cansado, dirigindo numa velocidade incompatível com o trecho sinuoso", explica o diretor de gerenciamento de risco, Dárcio Centoducato.

Minas Gerais, que tem a maior malha rodoviária federal do país, lidera o ranking, seguido de São Paulo e do Paraná. As más condições das rodovias também contribuem para que ocorram acidentes.

Em Minas Gerais, os motoristas ainda enfrentam outra armadilha: muitas curvas, um dos principais motivos de tombamento de caminhões no país. É o que mostra um vídeo. O motorista entra na curva com velocidade maior do que deveria. Ele perde o controle da direção e a carga tomba.

O caminhoneiro, Delson Almeida, também se deu mal em uma curva. "Entrei numa curva, o cabo de aço arrebentou puxou a carga e o caminhão deitou. Cortei a cabeça, a perna e me machuquei internamente".

A Federação das Empresas de Transportes de Cargas de Minas acredita que dá para diminuir em 40% o número de acidentes com ações simples: treinamento para os motoristas, melhor manutenção dos veículos e sinalização.

"Colocar placas, faixas, frisamentos. É um custo baixo que pode ter um retorno rápido" diz o presidente da Federação, Vander Francisco Costa.

Voltar